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01/08/2012

Desafios da Saúde Pública no Brasil

A nova composição etária e padrão de doenças determinam mudanças na assistência à saúde


A sociedade brasileira mudou consideravelmente a partir da década de 50, período em que se intensificou a industrialização, a urbanização, e o crescimento populacional. Com relação à saúde, houve grandes avanços, sobretudo na década de 80, com a garantia constitucional do direito à saúde, criação do Sistema Único de Saúde (SUS) e uma maior prioridade para a atenção primária, com ênfase na assistência à saúde materno infantil. Tais avanços contribuíram para a redução das taxas de mortalidade, especialmente da mortalidade infantil. Atualmente, passa a compor a agenda da saúde o crescimento da população idosa, a mudança do perfil epidemiológico e as novas necessidades de saúde da população, as quais demandam a adoção de novas políticas públicas de saúde2.
 

No contexto da transição demográfica, o maior ritmo de crescimento da população idosa leva ao envelhecimento populacional no Brasil. Enquanto em 1970 as pessoas com 65 ou mais anos de idade representavam 3,1% da população, em 2050 esta proporção deverá corresponder a aproximadamente 19%. Com relação à população de “muito idosos”, ou seja, idosos com 80 ou mais anos de idade, que representavam 17% dos idosos de ambos os sexos em 2000, a previsão é que, em 2050, esta parcela corresponda a 28% da população idosa1.
 

Em paralelo à transição demográfica, o Brasil passa pelo processo de transição epidemiológica. Conforme relatado por Schmidt et  al. (2011)3, em 2007, cerca de 70% das mortes no Brasil foram atribuíveis às doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), incluindo doenças cardiovasculares, doenças respiratórias crônicas, diabetes, câncer, doença renal, e outras. Neste mesmo ano, 10% das mortes foram por doenças infecciosas ou parasitárias e 5% por doenças relacionadas à saúde materno infantil. Esta distribuição contrasta com a de 1930, época em que as doenças infecciosas eram responsáveis por 46% de todas as mortes nas capitais brasileiras3.
 

Embora a mortalidade bruta por DCNT tenha aumentado em 5% entre 1996 e 2007, a mortalidade ajustada para a mudança na estrutura etária da população que ocorreu neste período, declinou 20%, principalmente pela redução das doenças cardiovasculares e doenças respiratórias crônicas, aliada à implementação bem sucedida de políticas públicas que levaram à diminuição do tabagismo e expansão do acesso à rede de atenção primária. No entanto, cresce no Brasil a prevalência de hipertensão e diabetes, assim como o excesso de peso, associados às mudanças desfavoráveis nos padrões de alimentação e de atividade física3.
 

Além da transição demográfica e epidemiológica, o Brasil também passa por um momento de transição do modelo assistencial, caracterizado pelo aumento das ações e serviços ambulatoriais e pela redução das internações pediátricas e obstétricas e aumento das necessidades de clínica médica, cirúrgica e reabilitação, em decorrência do crescimento da população idosa 2. Segundo Mendes et al. (2012)2, vale ressaltar que, se for combinado junto a essas características epidemiológicas e demográficas um maior crescimento econômico, com distribuição de renda e uma ascensão social da população no país, será possível ter um “bônus assistencial”, permitindo uma maior capacidade de planejamento do futuro da assistência à saúde, tornando mais complexa a rede assistencial e preparando-a para o grande crescimento da população idosa, com predominância dos “muito idosos” nas próximas décadas.
 

Referências:

1) Carvalho JA, Rodríguez-Wong LL. The changing age distribution of the Brazilian population in the first half of the 21st century. Cad Saude Publica 2008; 24(3): 597-605.
2) Mendes Ada C, Sá DA, Miranda GM, et al. The public healthcare system in the context of Brazil's demographic transition: current and future demands. Cad Saude Publica 2012; 28(5): 955-964.
3) Schmidt MI, Duncan BB, Azevedo e Silva G, et al. Chronic non-communicable diseases in Brazil: burden and current challenges. Lancet 2011; 377(9781): 1949-1961.

 

 

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